Relaxar no verão

As pessoas, pelo menos a maior parte da população brasileira, que dá um duro danado o ano inteiro, assim como os “bem(ns) nascidos”, ou os pilantras da nação (vide Brasil Privatizado – Aloysio Biondi e Privataria Tucana – Amaury Ribeiro Jr.), buscam balneários de águas e areiras quentes para relaxar no verão. Aqui ou em qualquer parte do mundo.

Excetuando consagradas capitais litorâneas da gigantesca e adormecida nação brasileira, lugares bucolicosmopolitas, como Arraial d’Ajuda, distrito rural de Porto Seguro, Bahia, são disputados centímetro a centímetro, por gente de todo o Brasil e do mundo.

Aqui é uma Babel o ano inteiro e o verão tem a propriedade de multiplicar por pelo menos dois os aproximadamente 20 mil habitantes do distrito. É depois do verão que se pode nutrir do melhor cosmopolitismo arraiano, convivendo, aqui e ali, de acordo com o tempo e as estruturas físicas e sociais locais, com a diversidade de gente do mundo inteiro.

As agências de turismo, alguns alienados e outros com sincera má-fé propagam que o pequeno arraial tem condições de receber, com dignidade, visitantes que afluem de todos os cantos e formas. Visitantes esses, alienados ao processo de produção industrial, sonham com um arraial bucólico, tranquilo, de muitas luzinhas coloridas, drinques pirotécnicos em lugares aparentemente rústicos, mas que todo o funcionamento é eletrônico, inclusive e, principalmente, o pagamento.

O simbolismo bucólico arraiano implica em uma sofisticada rusticidade na arquitetura, na arte, num jeito de ser e de se apresentar, que foram apropriados pelo merchandáizing turístico e deles tiram muito$ proveito$, vendendo-os em panfletos e cínicos sorrisos dos agentes de viagem.

Mas os “empresários” do turismo não explicam as dimensões e capacidades locais. Não mencionam, por exemplo, que além da sua família de seis pessoas, estarão presentes pelo menos mais umas 500 iguais, sem contar as de maior número. Também não contam que falta água, luz, pão, médicos nos postos de saúde, policiamento, etc.

Bom, mas aí é tarde e mais de 20 mil pessoas se encontram ao mesmo tempo, a milhares de quilômetros de casa, entre os dias 23 e 27 de dezembro, no bucólico centro do Arraial. De uma hora para outra o paraíso quente começa a provocar calores, suores e incômodos infernais, o que afeta sobremaneira o humor de quem busca(va) a paz e o relaxamento.

Em geral, cosmopolitas que são, sabem muito bem se defender de uma situação estressante, pois chegam aqui dessa maneira e não compreendem que estão num lugar cujos tempo e ritmo são outros. Simplesmente esquecem ou nunca souberam o que vieram buscar.

Os turistas chegam iludidos, pensando que seus matinais suco de laranja e misto quente estarão prontos assim que ele se encostar no balcão na lanchonete. Ou que o canelone cuja massa é prepara poucas horas antes de servir, estará em sua mesa em três minutos.

Mimados, exigem o que pagaram de quem não os vendeu, mas sim a quem têm a cara de recepcioná-los, ainda que seja para vender-lhes outra coisa, e que sofrem da mesma maneira a falta de estrutura cosmopolítica básica local.

E cada um ataca com o que tem. Desde os patéticos novos e velhos ricos, que trafegam pelo pequeno arraial em carros transatlânticos de vidros fumê, e se jogam em cima de qualquer coisa que ouse atravessar sua arrogância, até aqueles que vêm pela sanguessuga CVC em um milhão de prestações, passando pela moçada bonita e mal educada, criada à velocidade de Méquidônaldis e informação de Wikipédia.

Não importa o que tenham feito para chegar aqui. O fato é que todos chegam estressados mas aparentemente felizes. Ao menor sinal de violação às suas cosmo-imediatistas satisfações de turistas pagadores, lançam mão do bordão: “tô pagaaaaaaando!” Pronto, o caos está instalado e a cena do relaxamento do verão definida. Sejam bem vindos.

Nota

Conxziência 20/11/2012

Guilherme Silva

O dia da apresentação se aproximava. Os estudantes que a preparavam ficaram ainda mais lacônicos e misteriosos. Quem aguardava a apresentação do 1º ano para marcar o dia nacional da consciência negra, ficou mais curioso e instigado. Os colegas e alguns professores indiscretos tentavam, aqui e ali, pescar alguma informação sobre a proposta prometida. Nem mesmo o professor da turma sabia o que ela preparava.

Não davam pista alguma, mas afirmavam com tranquila e provocante segurança, que a escola jamais vira qualquer coisa parecida, desde a sua inauguração. Com a proximidade do evento, a ocupação do metro quadrado do pátio do colégio foi privatizada por uns estudantes do 3º ano, com os quais ninguém queria mesmo se meter. Até o diretor pagou pelo lugar de destaque, na frente.

Chegou o grande dia. A pedidos, aquela seria a última turma a se apresentar, com o tema Zumbi. A expectativa com o 1º ano embaçava a apresentação das turmas que o antecedera.

A revolta dos Malês, apresentada pelo 2º ano, foi solenemente ignorada pela escola. Meia dúzia de gatos assistindo. A dramatização do texto Navio Negreiro, de Castro Alves foi cancelada por falta de público.

Entre apreensivo e orgulhoso, o professor do 1º ano, depois de ter seu lugar negociado com o 3º ano, que compreendeu se tratar ele de parte interessada da apresentação, postou-se ao lado da diretora. A boca da noite obrigou a produção colocar mais brilho no 1º ano, usando refletores de luz sobre o palco armado no pátio.

Dá-se o sinal. Apagam-se as luzes, abrem-se lentamente as cortinas, dando passagem a uma espessa nuvem de gelo seco que os estudantes transbordaram no palco. Acendem-se os refletores cuja luz satura a evolução coreográfica da fumaça. De repente, ao mesmo tempo, refletores e DJ, como se ligados eletronicamente, entram em ação. Os primeiros piscam, e o DJ não tem dúvida, aperta o play e manda em alto bom som: It’s close to midnight, na voz do próprio Michael Jackson, e o grupo se levanta da fumaça e dança, Thriller, com uma maquiagem e um figurino impecável, coisa de cinema.

Zumbi, onde quer que estivesse naquele momento, deve ter vibrado de felicidade de ter chegado aos píncaros da Broadway. Os estudantes foram à loucura e o professor aumentou a dose de antidepressivos e a frequência à terapia.

“Só o suficiente para manter a estrutura básica de vida”: Israel contou as calorias necessárias para evitar malnutrição em Gaza

Não se sabe se os sionistas não aprenderam ou aprimoraram a lição. ô, gente

ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

Estudo do Exército israelita foi agora divulgado por decisão judicial
Apenas 2279 calorias diárias por pessoa, ou 106 camiões de bens essenciais, bastariam para evitar a malnutrição em Gaza, concluiu o Exército israelita num estudo realizado quando o Hamas assumiu o controlo do território, em 2007, mas que só agora foi divulgado por ordem do tribunal.
As contas foram feitas ao pormenor para se saber o que era preciso para evitar situações críticas de malnutrição em Gaza durante o bloqueio israelita imposto ao território em 2007, quando o movimento Hamas assumiu o poder. No relatório “Consumo de alimentos em Gaza – As linhas vermelhas”, que agora acaba de ser divulgado, fica a saber-se como foi preparado o bloqueio imposto a 1,6 milhões de palestinianos que só acabou por ser aliviado em 2010.
Para trás fica uma já longa batalha legal. O documento acabou por ser divulgado nesta quarta-feira por ordem…

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Fim do mito alimentado pela mídia brasileira: Bolsa Família não desestimulou procura por emprego, diz estudo

ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

Desde que foi lançado, há cerca de oito anos, o programa federal Bolsa Família ajudou a retirar cerca de 30 milhões de brasileiros da pobreza absoluta. Em meio às muitas críticas recebidas, conseguiu derrubar previsões simplificadoras, como a de que estimularia seus beneficiários a manterem-se desempregados para receber ajuda estatal. É o que mostra a segunda rodada de Avaliação de Impacto do programa, realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) com 11.433 famílias, beneficiárias ou não, em 2009.

De acordo com o levantamento, quem recebe repasses do governo federal não deixa de procurar emprego. Ao considerar uma faixa de 18 a 55 anos de idade, a parcela de pessoas ocupadas ou procurando trabalho em 2009 era de 65,3% entre os beneficiários e 70,7% para os indivíduos fora do programa. Analisando pessoas entre 30 e 55 anos, a porcentagem é de cerca de 70% para ambos os grupos.

O índice de…

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bailux-conexão rede-rua

Compilando a realidade local para contá-la como quiser. Quebra tudo, Bailux.

bailux

Atividade na Casa FdC -com presença da Artista Rosarlette Meirelles,As crianças que fazem capoeira com o Mestre “Budigão” convivem com o software livre e a fotografia durante uma hora e meia,nesta quarta feira saimos para fotografar a praça do entorno em uma atividade de mapeamento visual e reconhecimento do olhar de cada um sobre a vizinhança.

http://www.flickr.com/photos/bailux2006

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Obra é abandonada pela prefeitura de Porto Seguro

Feira divide estacionamento com mototaxistas

A população de Porto Seguro pagou, segundo o Diário Oficial do Estado nº 544/2011, a bagatela de R$ 148 mil por 16 box de 3m², distribuídos por não mais que 200m² de área construída, que estão abandonados há mais de 18 meses, no centro de Arraial d’Ajuda.

Obra abandonada junto ao mercado central, com a feira ao fundo

A construção do mercado hortifrutigranjeiro central de Arraial d’Ajuda iniciou-se no primeiro semestre de 2011 e não há sinais de que o prefeito Gilberto Abade conculirá a obra antes do fim do seu mandato. Mas o término da obra talvez seja o menor dos problemas, uma vez que o número de associados pode ser maior que o de box disponíveis.

Placa da entrega da obra e os feirantes no estacionamento

Segundo os feirantes, o número de associados que frequentam assiduamente a feira são mais de 20. Já o Presidente da Associação dos Feirantes em Arraial d’Ajuda, Jonas dos Santos Libório, afirma que são 14 associados. Segundo os registros da associação no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, nº 42.717.140./0001-25, o número de associados passa de 30.

Visão lateral da obra abandonada

Os feirantes foram pegos de surpresa, tanto com a chegada dos operários anunciando a imediata desocupação da área, quanto com o abandono, meses depois. Eles é que decidiram se instalar no estacionamento ao lado. Até então, a Secretaria de Obras não havia se organizado e decidido para onde seria transferida a feira.

As marcas do abandono da prefeitura de Porto Seguro

Quando os tapumes que cercavam a obra foram retirados, o que ficou exposto foi o emadeiramento torto de dois telhados sem telhas, sustentados por dois esqueletos de paredes sem reboco, que os indesejáveis e estigmatizados moradores de rua, com muito mais propriedade que o governo, fizeram desse esqueleto: dormitório, banheiro, motel e, é claro, mais um ponto de consumo de crack.

Segundo a dona de um salão cabeleireiro do Mercado Distrital de Arraial d’Ajuda, Ivone Santiago, “houve uma reunião na casa do vereador Dilmo Santiago, quando foi sugerido por ele que os feirantes terminassem a obra por conta própria”. O vereador confirmou a reunião, mas negou que os trabalhadores rurais tenham sido orientados a dar continuidade à obra abandonada.

Alguns feiranes, que pouco ou nada sabem de seus direitos, compraram telhas e pedras,, Mas antes de iniciarema as obras “alguém” os orientou a não compactuar com o crime da prefeitura e eles deixaram de investir.

O Secretário de Obras, Sebastião José Ferreira, no cargo desde outubro de 2011, disse não saber o motivo da paralisação da obra. “Quando tomei posse, fiz um mapeamento das obras e encaminhei para a prefeitura as que havia problemas, com pedido de solução”, afirmou o secretário. Segundo ele, o prefeito deu um prazo de 90 dias* para a solução do problema. “Encaminhei o caso à procuradoria e aguardo o desenrolar do processo”, afirmou o secretário.

O Procurador do município, Eduardo Cruz, informou que a empresa seria citada pelo abandono da obra e a rescisão contratual, embora não estivesse descartada, não foi cogitada, uma vez que a documentação da empresa e o processo licitatório estavam absolutamente regulares.

De acordo com o vereador Evaí Fonseca, “Isso é um descaso com os trabalhadores, moradores e turistas. Questionamos o Executivo, que até o momento nada respondeu.” O vereador protocolou uma representação contra a prefeitura no Ministério Público, no dia 04 de junho, sob o nº 612/2012, que ainda não teve encaminhamento.

Os feirantes continuam improvisados no estacionamento público que dividem com os mototaxistas e outros quiosques de comércio industrial. Por uma tradição enraizada no inconsciente coletivo, em que impera o medo, (re)produzido pelos atuais coronéis, até o fechamento desta edição nenhum trabalhador rural quis gravar entrevista.

Até o fechamento desta edição, a construtora S Andrade não respondeu a nenhum contato feito pela reportagem.

 * Desde a entrevista já se passaram 90 dias.

Hackers, uní-vos

A Biblioteca Nacional de Brasília Leonel Brizola foi tomada de assalto, no dia 28 de julho, por protótipos de carros tracionados que sobem escadas, feitos de peças novas e de sucata; estações meteorológicas encapsuladas em carcaças de interfones velhos, simulador de voo com tampa de pote de sorvete e grafiteiros com spray eletrônico.

A BNB sediou o 2ª Encontro Open Hardware de Brasília, organizado pelas comunidades: Open Hardware, Arduino Brasília a Calango HC. O Arduino é uma pequena placa de cicuitos integrados, com cujo principal é possível, de qualquer ponto do planeta onde haja conexão internet, acender e apagar as luzes de uma casa, alimentar o bicho de estimação e molhar as plantas, ao mesmo tempo.

Oficina de Arduino em uma das salas da BNB

O encontro foi organizado e produzido de forma colaborativa, em que estiveram envolvidos: professores, servidores públicos, profissionais liberais de diversos segmentos. Na parte da manhã, das 09:00h ao meio dia, ocorreram quatro oficinas para dez participantes, cada um com sua placa Arduino, conectado à banda larga de uma internet pública federal.

Simulador de voo feito com tampa de pote de sorvete

A grande procura pelo encontro revela o crescimento do interesse pela tecnologia, embora por motivos diversos. A inscrição para as oficinas, somente em pessoa, iniciou-se às 09:00h e, segundo Webert Oliveira Ferreira, um dos organizadores do encontro, “às 09:40h não havia mais vagas e sobravam 20 interessados na fila”.

Na parte da tarde, o auditório da BNB foi totalmente ocupado por pessoas interessadas em saber, por exemplo, como ter um simulador de voo em casa, por não mais que R$ 100,00, quando, em qualquer loja especializada ele chega a custar R$ 120.000,00.

A edição 2012 do encontro chegou com uma novidade e uma proposta. A boa nova foi a participação de um público não especializado, graças à ampla divulgação colaborativa e volutária em redes sociais, uma vez que esse tipo de encontro não estimula o patrocínio de tecnologias do sistema proprietário.

A proposta, ousada para mentes colonializadas, é a de tornar o espaço público da BNB em ferramenta de fomento ao colaborativismo, ao tentativismo e ao seviranismo: fundamentos da metareciclagem baseados na experência de que “é mais fácil aprender com alguém, que tentar produzir conhecimento sozinho”, segundo Ferreira.

Ecologicamente correto

Correndo o risco do lugar comum, a lógica Arduina está definitamente na vanguarda do uso racional dos recursos naturais, ao reutilizar material desprezado pelo dia a dia das obsolescências programada e perceptiva, transformado-os em produtos úteis para milhões de pessoas, a um custo irrisório. Pesadelo para o paradigma captalista.

Estação meteorológica feita de sucara eletrônica

Estação meteorológica feita de sucata eletrônica por um grupo de

pesquisadores do qual participaram Ferreira e Isaías Coelho, faz parte de um projeto chamado Monitora Cerrado, premiado na Semana de Ciência e Tecnologia de 2011, que tem por objetivo observar o clima, principalmente de regiões agropodutoras.

A carcaça de um interfone, fios retirados de uma inativa fonte de computador, o display de um velho celular, sensores diversos e um Arduino, transformam-se em uma estação meteorológica que registra temperatura, umidade, luz, tem barômetro e demais informações essenciais aos homens e mulheres que ainda restam no campo.

Isaías informou que, uma rede de estações distribuídas ao longo de um cinturão agropecuário pode contribuir para o desenvolvimento produtivo da região. Ele disse que partilha a informação dessa tecnologia em troca do fornecimento dos dados colhidos pelas estações.

Procura Diverso

Igor e sua “parede” grafitável eletronicamente

Mas o Arduino não serve apenas às cosias práticas da vida. O aprendizado do fruir artístico é mais uma das infinitas possibilidades dessa revolucionária e, portanto, perigosa plaquinha. Igor Fontana, estudante de Matemática, apresentou o grafitismo eletrônico.

Com aproximadamente R$ 500,00, Igor instalou numa tela de tecido iluminada por um data show, uma parede grafitável eletronicamente. Junto ao data show e apontando na mesma direção, uma câmera de raios infra-vermelho acoplada a um computador; do outro lado da tela, um spray eletrônico equipado com transmissor de rádio que regula a distância da “parede” e seleciona a cor da tinta, é captado pela câmera e transmitido ao computador, que reproduz a imagem e envia para o data show que a projeta na tela.

Visitante se diverte com spray eletrônico

 

 

 

 

 

Já o Engenheiro Elétrico Hugney Macedo investe numa empresa de automação residencial, em que pretende atender  ao mercado com hardware e software livres, utilizando o conceito de automação dos sistemas proprietários.

Webert e a estação meteorológica premiada em 2011

Segundo Ferreira, a filosofia hacker da apropriação e compartilhamento do conhecimento pode e deve ser inserida na grade curricular das escolas públicas. “Conclamo todas as pessoas do Brasil a criarem comunidades colaborativas, porque sabemos que é muito mais facil aprender com o outro que tentar criar conhecimento sozinho”.